Portugal prepara-se para uma maratona política. Eleições Legislativas Nacionais, Eleições Autárquicas e Eleições Presidenciais.
Já nos próximos dias, os candidatos às eleições legislativas serão postos à prova em mais de trinta debates televisivos, acompanhados por uma ronda de entrevistas onde vão procurar cativar eleitores e consolidar argumentos. Nunca se debateu tanto em tão pouco tempo. Mas, será que vamos a discutir o essencial?
A crise política que nos trouxe até aqui merecia um debate profundo sobre o País que queremos. No entanto, entre soundbites e as naturais táticas de campanha, corremos o risco de transformar esta oportunidade num espetáculo mediático sem substância. O formato dos debates – curtos, diretos, e muitas vezes reduzidos a confrontos individuais – favorece o ataque rápido e não a explicação ponderada. Discute-se quem ganhou ou perdeu o debate da noite, mas raramente se avalia o que foi realmente dito.
O País enfrenta desafios enormes: uma economia que tarda em destacar-se no Mundo, um sistema de saúde sob pressão e uma população cada vez mais envelhecida. Estas eleições deviam ser sobre soluções, mas, demasiadas vezes, são sobre frases feitas. Quem vai acompanhar esta sucessão de confrontos diários poderá sentir-se mais confuso do que esclarecido e isso não é bom.
O debate que realmente falta nunca caberá em debates de trinta minutos. Precisamos de menos política-espetáculo e mais compromisso real com o futuro do país. No dia das eleições, cada voto não será apenas uma escolha entre partidos, mas uma decisão sobre que tipo de política queremos. Porque se há algo mais importante do que quem “ganha” um debate, é quem ganha o País depois das eleições.
(Crónica escrita para Rádio)