Hospital modular teve erros de conceção, demorou 9 meses e já custou quase 40 milhões de euros, afirma PS/Açores

PS Açores - Há 1 dia

A deputada do Grupo Parlamentar do Partido Socialista/Açores, Marlene Damião, reforçou hoje que as audições desta semana na Comissão Parlamentar de Inquérito ao incêndio do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, permitiram perceber que o hospital modular já custou quase 40 milhões de euros e levou nove meses para estar em funcionamento, quando se previam inicialmente três, bem como não se conhece um prazo concreto para a sua utilização.

“Este processo está marcado por erros de conceção graves, falta de calendarização e ultrapassagem de prazos e custos inicialmente definidos, o que vem confirmar o que o PS/Açores tem vindo a denunciar: a opção pelo hospital modular, em detrimento da recuperação do edifício afetado pelo incêndio, foi precipitada, mal planeada e sem sustentação técnica”, frisou a deputada.

Segundo a socialista, a audição desta manhã do Presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, Pedro Soares, “veio reforçar as fragilidades do processo, ao deixar evidente que o Governo Regional tomou a decisão de avançar com o Hospital Modular sem ter em conta os relatórios técnicos que apontavam para a possibilidade de reabrir o mesmo edifício atingido pelo incêndio em menos tempo e com um custo inferior ao que foi, afinal, utilizado na instalação do Hospital Modular”.

“Esta opção precipitada, tomada sem o necessário planeamento, está na origem de muitos dos constrangimentos atualmente sentidos pelos profissionais e utentes”, sublinhou Marlene Damião.

O Grupo Parlamentar do PS/Açores salienta ainda as contradições nas declarações do responsável da Ordem, ao afirmar, por um lado, que a falta de enfermeiros é a principal razão para as escusas de responsabilidade de alguns dos profissionais, e, por outro, que uma reorganização interna bastaria para manter o funcionamento dos serviços. “Esta ambiguidade espelha a incoerência de todo o processo e a ausência de uma estratégia sólida”, sustentou.

O PS/Açores recorda que existiam outras soluções em cima da mesa, incluindo a recuperação do edifício atingido pelo incêndio e que os relatórios disponíveis indicavam alternativas mais sustentáveis e rápidas do que o hospital modular.

“O Governo Regional optou, no entanto, por um modelo que demorou mais, custou mais e continua a apresentar falhas estruturais, prejudicando profissionais e utentes do maior hospital da Região”, acrescentou a deputada.

Para além disso, “começámos a semana sem toda a documentação solicitada ao Governo Regional e terminamos da mesma forma”, denunciou Marlene Damião, apontando a opacidade como mais um elemento preocupante na atuação do Executivo.

O PS/Açores continuará a exigir transparência, responsabilização política e uma atuação séria em defesa do Serviço Regional de Saúde, que não pode ser gerido com improviso nem propaganda.

 

Ponta Delgada, 04 de abril de 2025