Opinião

Carência de habitação para os jovens em Ponta Delgada

O acesso à habitação no concelho de Ponta Delgada transformou-se num inquietante e grande desafio, nomeadamente para os jovens que aqui procuram estabelecer-se de forma independente.

A subida constante dos preços das casas e do arrendamento tem vindo a agravar-se, tornando praticamente impossível a aquisição, por parte dos nossos jovens, de uma habitação própria ou de arrendamento a preços acessíveis.

As casas nas freguesias do centro da cidade, com uma maior procura, apresentam valores proibitivos para a grande maioria dos jovens trabalhadores, o que tem provocado uma crescente procura nas freguesias limítrofes e nas mais afastadas. No entanto, mesmo nas áreas mais distantes os preços continuam a subir, devido ao aumento da procura e à escassez de oferta habitacional.

O turismo e o investimento estrangeiro no setor imobiliário têm contribuído, e de que maneira, para a escalada de preços das casas em Ponta Delgada, para além disso, os salários médios dos jovens açorianos não acompanham o aumento do custo de vida, tornando a aquisição ou o arrendamento uma tarefa espinhosa.

Se freguesias como Relva, Fajã de Baixo, Fajã de Cima, Capelas ou São Vicente Ferreira, foram opções exequíveis para aqueles que não conseguiam suportar os preços do centro da cidade, atualmente, tais alternativas também deixaram de estar acessíveis.

No que concerne às freguesias mais afastadas, a falta de infraestruturas, com uma rede de transportes desadequada, aliado ao aumento dos preços, impossibilita que muitos jovens escolham aquelas freguesias para viver.

Não obstante algumas iniciativas municipais e regionais de apoio à habitação jovem, estas ainda são insuficientes para fazer face aquilo que é a realidade atual do mercado, porquanto, muitos jovens continuam com sérias dificuldades para encontrar uma habitação a preços dignos e adequados, sem que tenham de comprometer uma grande parte do seu rendimento.

São necessárias políticas robustas e eficazes no sector da habitação, no sentido de reverter a crise habitacional com que estamos deparados, mormente no concelho de Ponta Delgada, tais como investimentos em habitação acessível, programas de apoio ao arrendamento mais eficazes e medidas para controlar a especulação imobiliária.

A habitação é um direito constitucionalmente protegido e, neste sentido, deve ser tratada como uma prioridade. Urge encontrar soluções que permitam aos jovens de Ponta Delgada construir um futuro, sem que tenham de sacrificar uma parte significativa dos seus rendimentos apenas para ter um teto para viver com dignidade.